sábado, 29 de agosto de 2009
Aos remosos em noite de vinho
No fim, ficou a culpa que não é nada. De quem é a culpa afinal? Minha? Minha?
Quero repetir a desgraça. Talvez seja esse o grande lugar do arrependimento.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
A ti, pássaro de voos.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Os dias da felicidade
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
A guerra (em crise) e os 1679 dias para o cessar fogo
domingo, 9 de agosto de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Os revivalismos de Strindberg ou o reconhecimento da dor...
Amor eterno, digo. Se bem que curto.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
O anti-manifesto que antes de ser censurado era só manifesto...
É a hora, dizia o poeta.
É A HORA...
quinta-feira, 21 de maio de 2009
O pessegueiro
segunda-feira, 23 de março de 2009
Vem buscar-me que não durmo
SUPER HOMEM D'ASAS D'ANJO

Entretanto, caminhos, caminhos sem cessar. Milhares de rotas, milhares e milhares e milhares de rotas, todas as possibilidades. Como escolher? Sem poder não há escolha. Sem escolha não há fim para onde se possa caminhar. O infinito estóico, heróico derrubou as vicissitudes do poder; amedrontou aqueles a quem se atribuí a força última e derradeira. Nos mortais, a quem sempre restou a esperança de serem salvos, reside agora a inevitável necessidade de auto-suficiência. Querem viver para sempre, querem a imortalidade, a força bruta e eterna. Conhecem o mito da pedra filosofal. Alguns têm o mapa que os conduz até lá, até à tão querida eternidade. Desconhecem o que os espera, desconhecem a malícia deste Deus ex-machina que descaracterizou o mundo: o profeta anunciou a vinda de um homem - quem sabe um herói - que nos resguardaria da desgraça. Pelo contrário, descaracterizou-se o homem e a comunidade, outrora fértil, vendeu as palavras a um diabrete mascarado de criança. Ficámos sem ter o que dizer em troca da eternidade. Foi esse o preço que restou para pagar.
Desde o dia do contrato, passaram 24 horas em que ninguém no mundo morreu. E no dia seguinte, serão 48 horas em que ninguém morrerá. E todos os dias que passarem serão mais 24 horas, até um dia serem anos, até outro dia ser a eternidade. O mundo estará cheio de gente enferma, de gente à beira da morte que nunca morrerá, de estropiados e de cegos que desejariam mais facilmente morrer do que viver para sempre. Nesse dia, o mundo será apenas um amontoado de outrora mortais combalidos pela desgraça. Isto tudo porque um dia, um dia há muitos anos atrás, os heróis trocaram as capas por umas asas; isto tudo porque um dia, um dia há muitos anos atrás, os homens quiseram brincar ao jogo da eternidade.
domingo, 22 de março de 2009
Tarifa: 1,40€
Era hoje que devia despedir-me de ti...
Desculpa se sou tão inábil.
Hoje é apenas o dia em que te anuncio a despedida.
Deseja-me uma boa viagem se puderes.
Não quero voltar atrás.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Da aprendizagem
talvez seja mesmo,
mesmo necessário
que me ofereçam uns sapatos
para que eu possa finalmente
aprender a a andar.
Quando eu crescer
e tu cresceres,
haverá ainda rosas suficientes no mundo?
Lembro-me do dia em que aprendi a fazer arroz;
e só por isso era capaz de me casar contigo.
Puseram-me um carro na mão
e eu matei dois pássaros:
depois fui tirar a carta.
Ainda hoje não sei falar como as pessoas crescidas;
há sempre um assobio na minha voz
que lembra o tempo em que era pequena
e rosada.
Não sei dizer palavrões,
e não é por ser muito bem-educada.
Aprendi a andar de bicicleta
muito tarde
e nem por isso
deixei de pedalar à beira-mar.
O cheiro a praia
do teu pescoço ensinou-me
a esperar pelas ondas maiores
para mergulhar.
Parte I das pequenas histórias sobre a felicidade
***
Dia de piquenique. Três horas, a relva parecia reluzente e fresca; bastava passar o vento para que a cor ondulasse entre a discrição e a excentricidade. A toalha branca estava estendida, como se aquele fosse o seu lugar desde sempre e não outro para além daquele. O ruído abandonara há muito aquele local, fazendo questão de deixar suspenso apenas o som do Verão entre o assobio dos melros e o riso distante de três ou quatro crianças cujos pés estavam descalços. Dentro da cesta de verga, havia uma garrafa de vinho e algumas maçãs.
Quando o dia decide findar em tons de púrpura, o regresso a casa mostra-se inevitável, mesmo quando a vontade nos desafia a mais umas horas de conversa fiada. A travessia é geralmente solitária. Mas há dias, aqueles dias, em que o acaso transforma o regresso a casa no mais terno momento da jornada. Aqueles dias em que inesperadamente a viagem de comboio nos entrega um amigo como brinde.
O salão estava quase deserto. Três ou quatro luzes faziam sentir-se no meio do fumo. A música lembrava anos que não os de agora. Três mulheres sentadas, copos e cigarros na mão. A linguagem corporal correspondiam à deselegância de não saber o que fazer. Castiças! Bocas vermelhas e sem saber onde pôr as mãos. No fundo do salão uma cortina pesada de veludo vermelho escondia objectos velhos. De súbito, uma mulher e um homem acompanham, quais bailarinos de longa data, a fanfarra gravada e emitida por umas colunas de fraca qualidade. As três mulheres sentadas, ficam perdidas, em suma, deslumbradas pela visão do amor.
Os pais não estavam em casa e as desculpas para evitar aquele segundo em que o desejo atravessa a razão acabariam por se esgotar mais cedo ou mais tarde. Puxaram as cortinas até meio das janelas para que a sua viagem não fosse a perda de pudor dos vizinhos. Deixaram instalar a música do desconforto. Primeiro tiraram as camisolas e observaram-se como se aquela fosse a primeira vez. Em poucos minutos, não havia nada que lhes cobrisse os tenros corpos. A vergonha impediu-os de avançar até que as consequências fossem últimas. Sem pudor e sem falar, deram as mãos e adormeceram. O que havia para dizer, foi dito durante o sono.
O que havia de melhor nas suas idas ao teatro era esperar que todos saíssem da sala para que, por fim, ele pudesse ver toda a magia quebrar-se no escuro.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Hino à desgraça: à boa memória de quem faz falta...

Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens...que ser assim?...
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
Ver-te sorrir eu nunca te vi
E a cantar, eu nunca te ouvi
Será de ti ou pensas que tens... que ser assim?...
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Olha que a vida não, não é nem deve ser
Como um castigo que tu terás que viver
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar
António Variações
domingo, 8 de março de 2009
Bombons

Como dava beijos lentos, duravam-lhe mais os amores.
Aquilo que define as mulheres é achar que todos os homens são iguais, enquanto que aquilo que perde os homens é achar que todas as mulheres são diferentes.
O relógio não existe nas horas felizes.
A água não tem memória: por isso é tão limpa.
Velho actor: deixou uma dentadura que declamava Shakespeare.
As rosas suicidam-se.
Aquela mulher olhou-me como se eu fosse um táxi livre.
Se ides à felicidade, levai sombrinha.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O carácter passageiro do amor ou a conservação da antiguidade
Adeus!
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
A história que não sei contar ou o nascimento do verão em fevereiro
domingo, 22 de fevereiro de 2009
o sonho americano
I'm gonna see some folks who have already been let down
I'm so tired of America
I'm gonna make it up for all of The Sunday Times
I'm gonna make it up for all of the nursery rhymes
They never really seem to want to tell the truth
I'm so tired of you, America
Making my own way home, ain't gonna be alone
I've got a life to lead, America
I've got a life to lead
Tell me, do you really think you go to hell for having loved?
Tell me, enough of thinking everything that you've done is good
I really need to know, after soaking the body of Jesus Christ in blood
I'm so tired of America
I really need to know
I may just never see you again, or might as well
You took advantage of a world that loved you well
I'm going to a town that has already been burnt down
I'm so tired of you, America
Making my own way home, ain't gonna be alone
I've got a life to lead, America
I've got a life to lead
I got a soul to feed
I got a dream to heed
And that's all I need
Making my own way home, ain't gonna be alone
I'm going to a town
That has already been burnt down
Rufus Wainwright









