Adeus!
sábado, 28 de fevereiro de 2009
O carácter passageiro do amor ou a conservação da antiguidade
Adeus!
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
A história que não sei contar ou o nascimento do verão em fevereiro
domingo, 22 de fevereiro de 2009
o sonho americano
I'm gonna see some folks who have already been let down
I'm so tired of America
I'm gonna make it up for all of The Sunday Times
I'm gonna make it up for all of the nursery rhymes
They never really seem to want to tell the truth
I'm so tired of you, America
Making my own way home, ain't gonna be alone
I've got a life to lead, America
I've got a life to lead
Tell me, do you really think you go to hell for having loved?
Tell me, enough of thinking everything that you've done is good
I really need to know, after soaking the body of Jesus Christ in blood
I'm so tired of America
I really need to know
I may just never see you again, or might as well
You took advantage of a world that loved you well
I'm going to a town that has already been burnt down
I'm so tired of you, America
Making my own way home, ain't gonna be alone
I've got a life to lead, America
I've got a life to lead
I got a soul to feed
I got a dream to heed
And that's all I need
Making my own way home, ain't gonna be alone
I'm going to a town
That has already been burnt down
Rufus Wainwright
sábado, 21 de fevereiro de 2009
a ciência dos meus sonhos
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
As minhas verdades absolutas: pelo menos as de hoje...
Esperar é uma angústia.
Aos quinze anos eu era mais feliz do que sou aos vinte.
Os meus desvarios épicos são cansativos.
O amor não existe: pelo menos o meu.
Não posso continuar a imaginar coisas que nunca vão acontecer.
Não posso fazer tanta força nos maxilares para não chorar.
Tenho uma amiga resistente a terramotos: aqui onde estou há vários.
Deus morreu; eu matei-o.
Preciso de roupa quente.
Quando for grande quero ter um Bando de...
Amanhã quero acordar mais leve.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
A origem da fé
A criança já tem vinte anos. Vinte anos em que recusou Deus, Evas, maçãs e Judas. Vinte anos tentando repudiar qualquer ideia de morte ou de continuidade para além do corpo. Quando era pequena e todos os meninos da escola foram baptizados, ela ficou em casa sem perceber porquê. Também não perguntou. Em casa, não havia dicionário de teologia, mas a criança viu muitas vezes em cima da mesa de cabeceira do pai O Manifesto Comunista do Karl Marx. Poucas coisas fizeram sentido na altura. Quando a criança amadureceu, como a maçã, descobriu que Deus, Cristianismo, Maria Madelana, Maomé, Natal, Páscoa, morte e ressurreição, vacas sagradas, reencaranação e budismo faziam parte de todo um hemisfério por desbravar. E mesmo quando a criança leu muito sobre todas as problemáticas, mesmo depois de ter ido a Fátima e de ter acendido uma vela pelo avô que nunca conhecera, mesmo depois de ter aprendido algumas rezas que decorava como lengas-lengas e mesmo depois de ter feito de ovelha no presépio de Natal da escola, a criança continuou sem perceber que coisa era aquela tão grande que movia tanta gente, e estranhamente a si própria. Entrou em muitas Igrejas, sentiu-se muitas vezes devorada pelo espaço, comovida pela luz que entrava pelas frestas centenárias das janelas. Um dia quando deixou de ser criança, fazia frio e era Inverno em Lisboa. Levava as mãos enlaçadas num homem que amou muito. Entraram na Igreja que em tempos fora devorada pelo incêndio e que assim permanecera, consumida pelo calor do fogo, sem mãos que a recuperassem. A criança que já não era uma criança, voltou a sentir-se tão criança como quando estava no útero da mãe que a gerou. O espaço que a derrubou e a tornou minúscula, trouxe-lhe à memória os traços do amigo que morrera quando tinha dezasseis anos, do avô, do outro avô. O coração rompia no peito como se a qualquer instante pudesse parar. A luz cinzenta colava-se aos lábios e num instante, nem sequer isso, milhares de mulheres cantavam nas paredes fazendo entoar ecos distantes. Sentiu-se esmagada. Deus aconteceu. E então, a criança descobriu que esse esmagamento que lhe apertava o peito, era somente a percepção de que a maçã gerou o amor entre os homens e de que os homens, na sua própria condição, são capazes de acreditar nos gestos, na linguagem, nas palavras. Aos vinte anos, a criança descobriu a fé: em Deus? Nos Homens? A sua fé de criança, a sua fé prematura diz-lhe que Deus foi uma invenção astuta dos seres humanos para poderem justificar a existência do amor.
As potencialidades do amor
domingo, 18 de janeiro de 2009
Os inesperados
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Sobre os relógios congelados pela frente fria
beber a água
mais funda do teu ser -
se a luz é tanta,
como se pode morrer?
Eugénio de Andrade
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
A Origem da Tragédia de Friedrish Nietzsche ou o dia mais quente do ano
domingo, 4 de janeiro de 2009
Messiah, de Frederic Handel ou a história do menino que sabia voar
sábado, 3 de janeiro de 2009
Os cabelos presos nas tiras de tecido velho da feira da ladra
Um dia a luz de Lisboa deixou de ser dolorosa como naqueles sábados de manhã. Era uma luz branca que não feria, pelo contrário, fazia com que quiséssemos recomeçar, sem angústia e sem pressa. Cortei o cabelo. Deixou de ser longo; deixou de esconder as cicatrizes das costas. A cidade porém não desapareceu; tornou-se só mais pequena e menos confusa. Mas todos os dias o meu cabelo cresce mais um bocadinho e por isso eu sei que todos os dias nascem crianças perto da minha nuca e atrás das minhas orelhas há jovens que me sussurram palavras de amor e na minha testa acabam por morrer sempre três ou quatro velhos que sucumbem ao desalinho dos dias. Enquanto houver força nas minhas raízes para manter o meu cabelo, sei que a cidade permanecerá intacta bem como a esperança nos homens: a minha fé na humanidade.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Passas pendentes
Não te vejo há muitos dias e nem sei quais foram os teus desejos para este ano. No fundo estou só à espera que voltes, só à espera que voltes para poder comer as passas que escondi dentro do bolso das calças que usei no dia 31.










